domingo, 18 de maio de 2014

MULHER DE 30 ANOS DESCOBRE GRAVIDEZ DE QUADRIGÊMEOS APÓS TRANSFERÊNCIA DE 3 EMBRIÕES

Patrícia Pontes e Murilo Becker, do Bauru Basquete, já têm uma filha de 7 anos. Com os bebês, casal pode até pensar em ter um time de basquete familiar.


Com quase seis meses de gravidez de quadrigêmeos, Patrícia Pontes, mulher do pivô Murilo Becker , do Bauru Basquete, diz que ainda não “caiu a ficha”.
– Eu sabia que queria ter mais de um filho, dois, no máximo três se acontecesse algum ‘acidente’. Mas, não esperava chegar aos 30 anos com cinco filhos. Eu não penso muito nisso, não consigo imaginar ainda como vai ser cuidar de quatro bebês – conta.
São dois meninos, Leonardo e Gabriel, e duas meninas, Maya e Rafaella, que vão fazer companhia para Eduarda, a filha do casal que tem 7 anos. Os bebês foram gerados após tratamento de fertilização, quando soube que estava grávida, no mesmo dia em que o Bauru Basquete comemorava o título do Paulista, Patrícia já sabia que eram, pelo menos, gêmeos.
– O médico me explicou que quando eu fizesse o teste beta HCG e desse mais de 1600 (quantidade do hormônio que indica a gravidez), provavelmente seriam gêmeos e deu 1692. Eu liguei para o Murilo para contar e peguei um táxi para acompanhar a carreata. Quando cheguei lá, ele já tinha contado para todo mundo, até o animador da carreata já anunciou no microfone que tinham herdeiros a caminho quando eu cheguei –  lembra Patrícia.
Murilo Becker, pivô Bauru, basquete, mulher, quadrigêmeos (Foto: Alan Schneider)Patrícia está grávida de seis meses (Foto: Alan Schneider)




A notícia de que eram na verdade quatro bebês só veio em fevereiro deste ano. Antes disso, Murilo ficou mais chocado ao saber que eram trigêmeos.
– Em dezembro fomos ao médico e ele disse para esperar um pouco para fazermos o ultrassom, mas a gente tinha viagem marcada e eu insisti, para saber se os bebês estavam bem. Quando médico começou, ele já disse ‘acho melhor você sentar’ e deu a notícia que eram três, foi o que ele conseguiu ver naquele dia e eu fiquei em choque – conta Murilo.
– Ele ficou uns dois dias sem falar comigo. Ele estava em um jogo no Uruguai e eu perguntei para o médico qual máximo que podemos colocar e ele disse três na minha idade. O Murilo queria colocar só dois, mas achei melhor arriscar – completa Patrícia, que decidiu implantar três embriões.
Murilo Becker, pivô Bauru, basquete, mulher, quadrigêmeos (Foto: Alan Schneider)Casal já tem uma filha, que ganhará quatro imrãos de uma vez só (Foto: Alan Schneider)
E foi mais que uma cesta de três pontos. Já que um dos óvulos fecundados se dividiu.
– As meninas são gêmeas idênticas – afirma Patrícia.
Já acostumado com trio, Murilo contou que não foi tão assustador saber que tinha mais um bebê a caminho.
– Tinha muita ‘zoação’ no time falando que seriam trigêmeas, então descobrir que eram quatro e tinha pelo menos um menino ali foi um alívio. Quando médico disse ‘estou vendo um menino aqui’, eu pensei ‘ufa’ – brinca o pivô do Bauru Basquete.
Time de basquete?
Com os quadrigêmeos a família Becker vai contar com cinco crianças que, quem sabe no futuro, podem formar um time basquete.
– Eles vão crescer nesse universo, porque é a minha profissão e nem tenho como pensar em parar agora, com cinco filhos para cuidar, eles vão respirar isso, mas eu só desejo que eles venham com saúde e possam escolher o que quiserem fazer, se pelo menos um se interessar pelo basquete já está bom – afirma Murilo.
E se depender do tamanho dos bebês, pode ser mesmo que o basquete ganhe novos craques da família.
– Segundo o médico no último ultrassom que fiz com 25 semanas, eles já estão um pouco maior que bebês nessa fase da gestação, principalmente as meninas, elas são maiores que o normal – ressalta Patrícia.
Murilo Becker, pivô Bauru, basquete, mulher, quadrigêmeos (Foto: Alan Schneider)Casal pensa em fazer "time de basquete" da família (Foto: Alan Schneider)




Dia das mães 
Patrícia conta que a data sempre foi importante para ela desde o nascimento da Duda.
– Ela nasceu na semana do Dia das Mães e eu tive alta do hospital na data, foi meu primeiro dia das mães e pude levar ela para casa, porque tivemos umas complicações e tive que ficar no hospital mais tempo.
Este ano não vai ter grandes comemorações porque Patrícia precisa ficar de repouso, mas em 2015 ela esperar passar a data rodeada dos cinco filhos.
– Não vamos poder sair para almoçar, comemorar, com foi no ano passado, mas no ano que vai ser diferente, com a casa cheia.
Murilo Becker, pivô Bauru, basquete, mulher, quadrigêmeos (Foto: Alan Schneider)Peóximo dia das mães será ao lado de cinco filhos (Foto: Alan Schneider)
Expectativa e preparação 
A previsão é de que os bebês nasçam entre o final de junho e começo de julho, já que a gravidez de Patrícia é considerada de risco.
– Se conseguir chegar a 34 semanas, que seria em 5 de julho, o médico disse que seria ideal – diz Patrícia. Para receber os bebês, a família já começou a se adaptar.
– Perdi armário onde guardava algumas coisas, roupas, os carrinhos estão no escritório. Acho que vou ter que alugar um apartamento só para mim, para colocar minhas coisas – brinca Murilo.
O quarto dos bebês já tem algumas coisas, como a cômoda, prateleiras e o papel de parede, mas a intenção do casal é mudar de casa quando as crianças forem maiores. Fora os ajustes na casa, a família prepara o emocional para receber quatro bebês em casa, como conta Patrícia.
– A Duda por enquanto está reagindo bem, não tem ciúmes, conversa com a minha barriga. Ela chega a pedir para os irmãos ficarem quietinhos para eu poder dormir, ou conseguir levantar da cama, porque não é fácil ter quatro bebês na barriga, eles não param de mexer um minuto, a barriga fica deformada o tempo todo.
Murilo Becker, pivô Bauru, basquete, mulher, quadrigêmeos (Foto: Alan Schneider)Murilo e Patrícia já preparam casa para novos quatro moradores (Foto: Alan Schneider)


Ela também conta que procura não pensar muito nas possíveis complicações de uma gestação de quadrigêmeos.
– Eu conversei com uma moça do Rio de Janeiro, ela ligou aqui e trocamos algumas informações, mas ela teve alguns problemas, os bebês nasceram de 22 semanas. Então, eu acredito que cada gestação é uma e procuro não me inteirar muito dessas experiências para não ficar encanada, com medo.
Murilo também ressalta que o importante é que os bebês nasçam bem.
– Eu sei que se você parar para pensar é uma loucura, cinco filhos, quatro bebês, até financeiramente é muito complicado, mas eu acredito que a gente consegue dar um jeito, tudo certo. Minha preocupação agora é com nascimento deles, que dê tudo certo e que eles tenham uma estrutura adequada para tudo que precisarem nesse momento – finaliza

Fonte;http://globoesporte.globo.com/sp/sorocaba/noticia/2014/05/mulher-de-pivo-do-bauru-passa-dia-das-maes-espera-de-quadrigemeos.html

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

EMBRIÕES CONGELADOS AUMENTAM CHANCES DE GRAVIDEZ

Embriões congelados aumentam as chances de gravidez

 
Embriões congelados aumentam as chances de gravidez

TEC (Transferência de Embriões Congelados)  ou FET (Frozen Embryo Transfer)
                                                                                   

                                                                                                     Arnaldo Schizzi Cambiaghi 


As mulheres que utilizam embriões congelados nos tratamentos de fertilização podem ter chances maiores de sucesso quando comparadas aquelas  que  usam os embriões "frescos". Os resultados atuais de pesquisas mundiais e do IPGO representam uma grande mudança de paradigma  na reprodução assistida e pode levar a uma mudança na atual política de preferir embriões frescos aos congelados.
Vantagens:
  • Aumento das taxas de implantação;
  • Aumento das taxas de gravidez;
  • Diminuição taxas de aborto;
  • Menor risco de parto prematuro;
  • Bebês com maior peso ao nascimento;
  • Menor chance de sangramento na gestação.

Estas pesquisas que estão em concordância com os recentes estudos do IPGO, têm demonstrado que a fertilização in vitro, quando for seguida de transferência de embriões congelados, obtém resultados  superiores às gestações concebidas em ciclos de transferência de embriões frescos.
A explicação está na receptividade endometrial que fica prejudicada em ciclos frescos, em decorrência  da estimulação do ovário, quando comparados com os ciclos de com a preparação isolada do endométrio, sem a interferência dos altos níveis de estradiol (hormônio sexual, da classe dos esteróides, produzido pelos folículos ovarianos) que “encharcam” o endométrio de hormônio, tornando-o inadequado na maioria das vezes, e prejudicando os resultados.
Altos níveis de estradiol são deletérios para a implantação do embrião, principalmente porque eles têm um efeito tóxico sobre o embrião, que pode ocorrer na fase de divisão celular. Além disso, nos tratamento de fertilização in vitro (FIV), as pacientes com níveis altos deste hormônio, no último dia da estimulação ovariana, quando se aplica o medicamento para a maturação final dos óvulos, chamado hCG ( = Ovidrel ou Choriomon) têm chances aumentadas de gerarem  bebês pequenos, chamados de “PIGs” (Pequeno Para a idade Gestacional ).
Nestes estudos, bebês nascidos de embriões congelados ao nascer, foram, em média, 253 gramas menores que os demais.  Além disso, há uma menor incidência de pré-eclâmpsia (ou DHEG-Doença Hipertensiva Específica) em comparação com  pacientes submetidas á transferência de embriões frescos. 
Isso poderia ser explicado por uma melhor sincronia embrião e endométrio alcançada com ciclos de preparação isolada do endométrio, um ambiente mais natural e compatível com a concepção espontânea. 
Agora, a questão é definirmos se para termos resultados melhores de gestações deveremos  considerar congelar todos os embriões e transferi-los em uma data posterior, ao invés de transferi-los frescos.
Outra  revisão de trabalhos científicos (revisão sistemática), demonstrou que os bebês nascidos de embriões congelados tinham 16% menos risco de ser prematuros e a  metade de chances de ser pequeno para a idade gestacional (PIGs), em comparação aos bebês nascidos de embriões frescos.
É bom que se saiba que a transferência de embriões congelados é mais simples, as medicações utilizadas não são injetáveis, são orais ou transdérmicas, e muitas vezes o ciclo natural, sem medicamentos, poderá ser a melhor opção. Portanto, a  quantidade total de medicamento é muito menor do que o indicado em um ciclo de FIV  fresco.

 
 
Referências para leitura:

Anthony N. Imudia, M.D, Awoniyi O. Awonuga, M.D., Anjali J. Kaimal, M.D., M.A.S.,c Diane L. Wright, Ph.D.,a Aaron K. Styer, M.D.,a and Thomas L. Toth, M.D.-  Elective cryopreservation of all embryos with subsequent cryothaw embryo transfer in patients at risk for ovarian hyperstimulation syndrome reduces the risk of adverse obstetric outcomes: a preliminary study
Fertility and Sterility® Vol. 99, No. 1, January 2013

Anthony N. Imudiaa Awoniyi O. Awonuga, Joseph O. Doyle,.,a Anjali J. Kaimal,c Diane L. Wright,  Thomas L. Toth,.,a and Aaron K. Styera - Peak serum estradiol level during controlled ovarian hyperstimulation is associated with increased risk of small for gestational age and preeclampsia in singleton pregnancies after in vitro fertilization,  Fertility and Sterility® Vol. 97, No. 6, June

Bruce S. Shapiroa Said T. Daneshmand, ,b Forest C. Garner, Martha Aguirre,  Cynthia Hudson and Shyni Thomas - Evidence of impaired endometrial receptivity after ovarian stimulation for in vitro fertilization: a prospective randomized trial comparing fresh and frozen–thawed embryo transfer in normal responders, Fertility and Sterility_ Vol. 96, No. 2, August 2011 
 
Diana Valbuena, Julio Martin, Jose Luis de Pablo,  Jose´ Remohı´, Antonio Pellicer,  and Carlos Simon- Increasing levels of estradiol are deleterious to embryonic implantation because they directly affect the embryo, Fertility and Sterility vol. 76, no. 5, november 2001

Matheus Roque, c Karinna Lattes, Sandra Serra, Ivan Sol,  B.Psych., Selmo Geber,  Ramon Carreras and Miguel Angel Checa, - Fresh embryo transfer in in vitro fertilization cycles: a systematic review and meta-analysis,  Fertility and Sterility2012





De volta para ao passado: em publicação de R.G Edwards 1976 -  A Matter of Life. The Story of IVF 2ª edição, 2011, Impression Publishing.
 
"Poderíamos tentar o congelamento de embriões humanos, e mantê-los  guardados até que os efeitos dos medicamentos para a fertilidade se desapareçam e o ciclo menstrual volte ao  normal. O útero se tornará  mais  receptivo, e capaz de sustentar o crescimento do feto. Nós poderíamos proporcionar  a mãe com uma família inteira mas com filhos espaçados da forma como ela desejava, apenas descongelando cada embrião quando desejado”

Fonte; IPGO Medicina da Reprodução